segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Mediunidade institucional e caritativa


A mediunidade institucional é aquela praticada no ambiente de uma instituição espírita, na qual se busca, pela disciplina e pelo estudo, sua educação. O exercício da mediunidade num Centro Espírita significa, além de contributo para o desenvolvimento pessoal, uma das formas mais nobres de se praticar a caridade. A doação desinteressada em favor de outrem, utilizando-se dos recursos mediúnicos que se possui, proporciona o surgimento do sentimento de utilidade perante a Vida.

A mediunidade, entre aqueles que praticam o Espiritismo, é tratada como algo especial e seu exercício considerado como redenção para seu portador. Porém nem sempre é tratada como uma faculdade inerente ao humano e que pode ser utilizada de diversas maneiras na vida do indivíduo. Ela é tratada como um instrumento sagrado à semelhança de um objeto intocável e extremamente distanciado de algo natural. Por conta de um viés religioso e moralista, as recomendações para seu exercício são mais voltadas para os riscos e perigos do que para o equilíbrio e a felicidade de seu portador. Ela ainda não é explorada como instrumento natural para ser utilizado na vida cotidiana.

A mediunidade é uma faculdade adquirida pelo espírito em dado momento de sua evolução e seu desenvolvimento significa melhores possibilidades de crescimento espiritual. Esse desenvolvimento não se restringe à prática numa instituição, qualquer que seja. Sua utilização deve se ampliar às dimensões da vida humana, isto é, levá-la à dimensão social, familiar, profissional, educacional, intelectual, dentre outras.

A mediunidade utilizada com fins financeiros ou com o intuito de prejudicar pessoas em práticas religiosas ou não, não sofre alteração quanto à sua existência no indivíduo. Tais práticas, porém, interferem na evolução espiritual de quem assim age e geram vínculos de qualidade inferior. O uso da mediunidade, qualquer que seja a finalidade, embora contribua para seu desenvolvimento, poderá trazer consequências negativas à vida futura do médium, a depender de seus objetivos. Quando seu exercício se dá numa instituição espírita, que se pauta pelas obras de Allan Kardec, há uma garantia de que ela será para o bem do médium e sem prejuízo de sua evolução.

O desenvolvimento da mediunidade numa instituição, bem como seu exercício regular, oferece algumas garantias ao médium, se seguir os preceitos recomendados por Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns. O médium não deve limitar seu uso à instituição, mas levá-lo às dimensões de sua vida, cuidando para não fazer dele instrumento de exercício profissional.

A mediunidade fora de uma instituição é útil na vida diária na medida que o médium buscar, pela sua intuição, estar em contato com os Bons Espíritos, procurando soluções criativas aos seus afazeres. Quando se considera o contato com o espiritual pela intuição como algo permanente, as possibilidades de captação de ideias criativas aumentam consideravelmente. Nas diversas atividades cotidianas, pode-se utilizar a ligação consciente com espíritos desencarnados, para o aprimoramento da própria maneira de ser, principalmente com aqueles que tenham inteligência, bondade e espiritualidade maior que a do encarnado.

A mediunidade numa instituição obedece a limites necessários à compreensão e autocrítica dos médiuns. Não é fácil conduzir- se com ela fora de seus muros, pois as possibilidades de desequilibrar-se por falta de orientação específica são maiores.

Livro - Psi Mediunidade
Adenáuer Novaes

terça-feira, 26 de agosto de 2014

29 de agosto aniversário de Bezerra de Menezes



Agosto é lembrado nas lides espíritas como o “mês de Bezerra de Menezes”, nascido aos 29/8/1831. Este vulto luminar legou-nos nobres exemplos de vida.

A FEB Editora publica várias obras de Bezerra, escritas como encarnado e desencarnado. Dispõe de uma obra que reúne mensagens de Bezerra, principalmente, as psicofonias de Divaldo Pereira Franco ocorridas durante o Conselho Federativo Nacional da FEB: Bezerra de Menezes, ontem e hoje. Há muitos livros sobre o vulto. Recentemente, Jorge Damas Martins lançou oportuno livro intitulado Bezerra de Menezes e Chico Xavier. O médico e o médium. Uma pesquisa de leitura agradável que destaca interessantes relações entre os dois vultos.

As mensagens espirituais de Bezerra se constituem em roteiro para o Movimento Espírita. Haja vista o texto “Unificação” (Psicografia de Francisco Cândido Xavier, em reunião da Comunhão Espírita Cristã, em 20-04-1963, em Uberaba). Esta mensagem foi estudada no livro Orientação aos órgãos de unificação1, grifando-se as palavras chaves das sentenças. No capítulo seguinte estas palavras chaves foram trabalhadas com a inserção de frases de apoio correlatas. Há trechos marcantes:

“O serviço da unificação e nossas fileiras é urgente mas não apressado. Uma afirmativa parece destruir a outra. Mas não é assim. É urgente porque define o objetivo a que devemos todos visar; mas não apressado, porquanto não nos compete violentar consciência alguma. [...] Nenhuma hostilidade recíproca, nenhum desapreço a quem quer que seja. Acontece, porém, que temos necessidade de preservar os fundamentos espíritas, honrá-los e sublimá-los, senão acabaremos estranhos uns aos outros, ou então cadaverizados em arregimentações que nos mutilarão os melhores anseios, convertendo-nos o movimento de libertação numa seita estanque, encarcerada em novas interpretações e teologias, que nos acomodariam nas conveniências do plano inferior e nos afastariam da Verdade.”

Essa publicação da FEB foi elaborada durante os 60 anos do “Pacto Áureo”, como fruto de elaboração coletiva do Conselho Federativo Nacional da FEB.

E já estamos atingindo os 65 anos do “Pacto Áureo”, no próximo dia 5 de outubro!1,2

Na mesma publicação citada há marcante colocação de Emmanuel (psicografia de Francisco Cândido Xavier, no dia 14/9/1948, em Pedro Leopoldo) que relaciona os momentos críticos que vivemos no cenário de nosso orbe e o papel que os espíritas podemos exercer com o potencial do “Consolador Prometido”:

“O mundo conturbado pede, efetivamente, ação transformadora. Conscientes, porém, de que se faz impraticável a redenção do Todo, sem o burilamento das partes, unamo-nos no mesmo roteiro de amor, trabalho, auxílio, educação, solidariedade, valor e sacrifício que caracterizou a atitude do Cristo em comunhão com os homens, servindo e esperando o futuro, em seu exemplo de abnegação, para que todos sejamos um, em sintonia sublime com os desígnios do Supremo Senhor.”1

No contexto dos 65 anos do “Pacto Áureo” as colocações de Bezerra e Emmanuel devem servir de reflexões para nossas ações e projetos no Movimento Espírita!

Referências:

1) http://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2012/06/Orientacao-aos-Orgaos-de-Unificacao-sem-corte-1.pdf

2) http://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2014/07/65-anos-do-Pacto-Áureo.pdf

Antonio Cesar Perri de Carvalho é presidente da Federação Espírita Brasileira.



sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Dentre os Obreiros


 Dos obreiros que se te fizeram colaboradores e amigos, no campo do bem, conhecerás muitos deles na condição de representantes de faixas diversas da evolução humana: aqueles que começam entusiasticamente, na trilha da obra, lançando arrojados planos de ação, e abandonam o apostolado nos alicerces, com receio do sacrifício;  

os que chegam otimistas, louvando as perspectivas do trabalho, e deixam a tarefa, assim que lhe observam a complexidade e a extensão;  

os que recolheram benefícios da seara e regressaram a ela, prometendo auxílio e reconhecimento, mas largam-na, às vezes de improviso, tão logo se vejam chamados a aprender quanto custa o esforço da sementeira; 

os que formulam projetos avançados de renovação, sob o pretexto de se atender ao progresso, e retiram-se quando observa,m quanto suor e quanta distância existem sempre entre a teoria e a realização;  

os que supõem na gleba um filão de recursos fáceis e fogem dela logo que tomam pessoalmente o peso da charrua de obrigações que lhes compete movimentar.  

Entretanto, ao lado desses cooperadores, sem dúvida respeitáveis, mas ainda inabilitados para os compromissos de longa duração, encontrarás aqueles outros, os que conhecem a importância da paz de espírito e não se arredam da empreitada que lhes coube, prosseguindo no desempenho dos deveres que abraçaram, ainda mesmo quando isso lhes custe o pão amassado com lágrimas, nos testemunhos de fé e abnegação, dia por dia. 

Forma entre esses que se mostram decididos a pagar o preço da própria ascensão e reconhecerás para logo que o obreiro digno do salário da felicidade e da paz, nos erários da vida eterna, será sempre aquele que caminha para a frente com a obra no pensamento e no coração, a pleno esquecimento de si mesmo, trabalhando e servindo, compreendendo e auxiliando, amando e construindo, a serviço do bem de todos, até o fim. 

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Muralha do tempo

A Porta Estreita, tema do evangelho, estudado nesta sexta-feira, no Centro Espírita Semente Cristã. A mensagem de Emmanuel, sintetiza o pensamento de Jesus nesta passagem, “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta que conduz à perdição.” – Jesus. (Mateus, 7: 13)
Em nos referindo a semelhante afirmativa do Mestre, não nos esqueçamos de que toda porta constitui passagem incrustada em qualquer construção, a separar dois lugares, facultando livre curso entre eles. Porta, desse modo, é peça arquitetônica encontradiça em paredes, muralhas e veículos, permitindo, em todos os casos, franco passadouro.
E as portas referidas por Jesus, a que estrutura se entrosam?
Sem dúvida, a porta estreita e a porta larga pertencem à muralha do tempo, situada à frente de todos nós. A porta estreita revela o acerto espiritual que nos permite marchar na senda evolutiva, com o justo aproveitamento das horas. A porta larga expressa-nos o desequilíbrio interior, com que somos forçados à dor da reparação, com lastimáveis perdas de tempo. Aquém da muralha, o passado e o presente. Além da muralha, o futuro e a eternidade. De cá, a sementeira do “hoje”. De lá, a colheita do “amanhã”. A travessia de uma das portas é ação compulsória para todas as criaturas. Porta larga – entrada na ilusão – saída pelo reajuste... Porta estreita – saída do erro – entrada na renovação...
O momento atual é de escolha da porta, estreita ou larga.
Os minutos apresentam valores particulares, conforme atravessemos a muralha, pela porta do serviço e da dificuldade ou através da porta dos caprichos enganadores. Examina, por tua vez, qual a passagem que eleges por teus atos comuns, na existência que se desenrola, momento a momento. Por milênios, temos sido viajores do tempo a ir e vir pela porta larga, nos círculos de viciação que forjamos para nós mesmos, engodados na autoridade transitória e na posse amoedada, na beleza física e na egolatria aviltante.
Renovemo-nos, pois, em Cristo, seguindo-o, nas abençoadas lições da porta estreita, a bendizer os empecilhos da marcha, conservando alegria e esperança na conversão do tempo em dádivas da Felicidade Maior.
Emmanuel – Livro – O Espírito da Verdade - psicografia de Chico Xavier e Waldo Vieira